Mostrando postagens com marcador Canções Gravadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Canções Gravadas. Mostrar todas as postagens

UM TEMPO ATRÁS

Não adianta falar,
Ninguém vai me convencer
Que as horas passam

E a gente nem vê
S

Nem adianta explicar,
Eu não quero entender
Que os anos passam

E é assim que tem que ser

Pela cidade tão vazia
Trocando a noite pelo dia
Se todos querem companhia, eu não!
Só quero diversão...

Um tempo atrás
A gente andava pela madrugada conversando à toa
Nunca mais
A gente agora vive atrás do tempo e vê que a vida voa...



S
* Essa canção foi gravada no DVD Vitrola Acústico pela minha amiga Marcela Mescalina e provavelmente deve ser o título do meu próximo disco (sem data ainda para nascer).

ALGUÉM QUE ME AGRADE


Não quero
Crateras no meu crânio
Nem
Vergonhas e vergões
Nem quero
O cabaço dos bagaços
Nem
Arrotos e arranhões

Não quero
Feitiços no meu feitio
Nem
Panos e pandemias
Nem quero
A novela das favelas
Nem
Pompa nas poesias

O que eu quero
A alma da alegria
A fama da fantasia
O fermento da felicidade
(Alguém que me agrade!)

Não quero
Amargor no meu âmago
Nem
Inópia e inocência
Nem quero
Preces e preconceitos
Nem
Viroses na vivência


* Este poema é do meu livro “Delírio Delicado”, posteriormente foi musicado pelo cumpadre Cardo Peixoto e integrou o primeiro disco dele (Rota da Estrela).

MAMA ROSA

Quando tudo parece no fim
Uma rosa nasceu no jardim
- A lição que a vida nos dá
É dar as mãos pra caminhar!

Quando os dias parecem não ter razão
E o tormento faz casa no coração
É preciso estar firme, de pé
Com esperança, coragem e fé...

Quando o mundo parece sem paz
Se a dor de repente vier
Ninguém imagina a força que traz
A alma de uma mulher!

Quando o tempo parece acabar
Uma rosa vai desabrochar
MAMA ROSA vencendo a corrida
Um toque de amor em nossa vida!

CANÇÃO DA APAE (Juntos na vida nós somos bem mais)

Toda regra tem exceção
Nem as estrelas no céu são iguais
Contra a discriminação
Juntos na vida nós somos bem mais!

Todo dia aumenta a nação
Que tempo amargo, difícil demais
Mas basta prestar atenção
Todos nós somos tão especiais!

Qualquer abandono a gente desfaz
No calor de um abraço, no aperto de mão
Juntos na vida nós somos bem mais
Leve a APAE no coração!

MILONGA MAUÁ

Pra quem vai embora e não volta mais
Pra quem chega em busca de apego e paz
Pra quem deixa a vida assim no mais
Pra quem planta e canta os arrozais

Pra quem é beato e ama o pecado
(Quem ergue a bandeira – quem não tem lado)
Pra quem é urbano e conduz o gado
Pra quem é inocente e foi condenado

Por favor, me diz que lugar é esse
Que me faz feliz e me empobrece
Ti ti ti – blá blá blá – conversa fiada
Toma lá da cá... Milonga Mauá!

Pra quem se cala e sossega o facho
Pra quem tá só na rapa do tacho
Pra quem veste a moda e o esculacho
Pra os que vêm de fora e os que vêm de baixo

Pra quem não se abala e entra na dança
Pra quem vive a vida da vizinhança
Pra quem sempre espera e nunca se cansa
Pra quem quer heranças e não confiança

Então vem me dizer que lugar é esse
Que me dá prazer e me adormece
Por Aqui... Doce Lar – balcão, madrugada,
Corpos no sofá... Milonga Mauá!

Pra quem vende a vida por um vintém
Pela mesma rua num vai-e-vem
Pra quem ficou preso ao que mais convém
E amarrou seu tempo co’a linha do trem

Pra quem tem amor à monotonia
Pra quem quer saúde, paz, moradia
Pra quem puxa o saco e não lambe a cria
Pra os que vão no vácuo da utopia

Já não sei dizer que lugar é esse
Que me faz não ser, que nunca acontece
Correnteza no olhar – Canções para o nada
Lá lá iá lá ia... Milonga Mauá!

DESD’A ÚLTIMA VEZ QUE TE VI

Fiquei tão só, vi meus sonhos pelo chão
Fiquei tão só, amargo feito o chimarrão
Sorvendo a erva na Dr. Monteiro
Ritual costumeiro!

Fiquei tão só, sem saber o que sentir
Desd’a última vez que te vi
Fazendo às mesmas esquinas meu açoite
Milongas na noite

As flores morrem no canteiro – O dia é cinza Por Aqui
Já vivo sem paradeiro, desd’a última vez que te vi
S
Fiquei tão só, feito a terra sem o grão
Fiquei tão só (verso, voz & violão)
Vagando a esmo por perto do perau
No arroio e no Pontal

Fiquei tão só e acreditei no “não-partir”
Desd’a última vez que te vi
Aquerenciado na cidade abandonada
Tardes de bingo e mateada

Não esqueço mais desd’aquela vez
Lembro todo dia, toda hora, todo mês
Meu coração vazio num lugar tão frio...

MOLAMBENTO

Teu olhar num instante aparecia
Vertendo outros caminhos estranhos
É melhor estender utopias
Afeições maltratando o rebanho

Seja eterno, jamais amanhã
Meus infinitos no horizonte adormecidos
Se então renasce “efeito imã”
Sempre estaremos unidos

Noitadas ostentam solidão
Dores ocultas – incerto sentimento
Sigo ousando montar o sonho
Unificando momentos

Perdoa minha amada
A saudade, o sofrimento e este jeito molambento de andar
Vagando só na estrada
O amor é um segredo e o meu medo é ter tão pouco Pra Te Dar!

MILONGA PRO MEU POVOADO

No meu povoado a vida é assim e não tem conversa
Cotidianamente se espera um progresso que não tem pressa
Mauá e seus trilhos, outros Basílios e Gumercindos
Boto o pé na estrada, a viola no saco e já vou indo!

É tanta gente trocando a alma pelo “pé de meia”
É tanta gente vivendo apenas a vida alheia

No meu povoado quase nada muda tudo se repete
Campereando as dores nos desalambramos pela internet
Entre serra e várzea a urbe vazia vai nos consumindo
Tiro as pedras da estrada, a mão da cumbuca e já vou indo!

É tanta gente que um dia se cansa e vai embora
É tanta gente levando a saudade pelo mundo afora

Nas mesmas ruas andar contigo lado a lado
Voltar pelo tempo... Meu povoado...

No meu povoado tem sempre um olhar por detrás da cortina
Saboreando a beleza do grande amor e arrotando a rotina
Minhas coordenadas – esquadro, compasso... O saber infindo
Co’as lições da estrada encilho meus passos e já vou indo!

É tanta gente morrendo sem ter o que merecia
É tanta gente sonhando à margem da ousadia.

MEU VELHO LUGAREJO

Já são outros tempos
E a solidão florescendo
Ao longe da arte...

Um amigo que parte
Nada é eterno!
A fome do inverno
Aquecendo o olhar dos amantes
Lembranças distantes

Meu velho lugarejo
À espera da colheita
Na dor e no desejo
Por amor a gente aceita!
S
Todo o momento
Idéias antigas percorrem
O trânsito lento
E as vozes do vento
Nos fazem ouvir
Que o coração ainda
Pede pra não desistir
E viver Por Aqui...

DEDUÇÃO

Através da milonga a voz do coração
Se solta, pede cancha e um pouco mais de atenção
A poesia vai vestindo o infinito
Num grito de dor que vem do campo
Ensinamentos que jamais serão escritos!

Através da milonga a voz do coração
Semeando calmarias, reensina o perdão
A poesia se esparrama na campanha
Tamanha é a dor de quem carrega
A raiz da saudade nas entranhas!

Teus olhos distantes demais, me abandonaram Por Aqui
Sangrando bordões de milonga sem saber pr’onde fugir

Talvez até seja difícil compreender e acreditar
Mas é bom viver na Terra de Mauá!

POR AQUI II

Por aqui todos vão bem, numa boa
Na mesma trilha... à toda e à toa
Por aqui vai se levando na manha
Semeando o asfalto com flor de campanha

Por aqui ficam pra traz
Contando os dias iguais
Sem tempo e sem previsão!
Por aqui vivem sem paz
Clamando por arrozais
Um glamouroso grotão!

Por aqui todos percorrem a ponte
Molhando as barbas, secando a fonte
Por aqui todos não sabem quem são
Não fazem planos, nem fazem questão

Por aqui gritam
Sozinhos, com pedras pelo caminho
Famintos de atenção!
Por aqui bebem
O vinho, gotas de sangue no ninho
Atropelando a paixão

Refrão
Por aqui... Por aqui... Por aqui!

Por aqui todos vão bem, numa boa
Na mesma trilha... À toda e à toa
Por aqui vai se levando na manha
Semeando o asfalto com flor de campanha

Por aqui trocam
Os lucros em eleições, bingo e truco
Foguetes na imensidão!
Por aqui crescem
Mais xucros, adolescentes caducos
Frutífera frustração!

Por aqui todos vão bem ou brigados
Fazendo cera, fazendo alambrados
Por aqui todos não sabem se vão
E em vão se ficam, nem fazem que estão!

Por aqui comem
Poeira na queda da ribanceira
Descarrilhando o vagão!
Por aqui fecham
Porteiras sem dó, sem eira nem beira
Gangrena a gana e o galpão!
S
Refrão

NA CAMPANHA

Na campanha quando o galo canta
Já começa a lida, já vem outro dia
Na campanha quando o sol levanta
Esparrama o gado... Uma chaleira chia!
Na campanha andando “de a cavalo”
A gente toca a vida do jeito que pode
Na campanha a cachorrada late,
A gente vira o mate... Uma milonga explode!

Na campanha quando finda a tarde
A gente “bota as vaca” campereando em pêlo
Na campanha a gente liga o rádio,
Escuta o noticiário e as canções do Campello
Na campanha esquilando ovelha,
Curando terneiro, cuidando égua prenha
Na campanha a gente aquece a alma
Causeriando à beira do fogão à lenha!

Refrão
Na campanha a gente vive em paz e faz de tudo apenas pra viver
Eira! Eira! Eira! Meu amor! Vou te contar...
Quem vai morar na campanha não pensa em voltar

Na campanha colhendo esperanças
O tempo separa o trigo e o joio
Na campanha a gente é mais criança,
Contando as estrelas, nadando no arroio
Na campanha tudo é amoral
E pra todo bagual tem sempre um maneador
Na campanha, longe da cidade
A vida é de verdade e traduz o amor!
S
Refrão

SOB A LUZ DOS LAMPIÕES

Nas noites lá de fora...
Quem sai da lida puxa um banco, ceva um mate
Chorando em versos se despede pro futuro
Vira o vento, um arrepio, um cão que late
(Assombrações vão percorrendo o pampa escuro!)

Nas noites lá de fora...
Tanta paz, tanta fartura, tanto apego
A gente mal termina a bóia e se recolhe
Troteando sonhos – calmaria no aconchego
De relancina um outro tempo nos acolhe!

Assim a vida vem em versos,
Recorridas & andanças
Preparando outras lembranças
Gauderiando os corações...
S
Assim da vida me despeço,
Solitário & errante
Minha infância tão distante
Sob a luz dos lampiões!

Nas noites lá de fora...
Velho Lauro conta causos e anedotas
Revira o fogo e emudece em seus vazios
A lua cheia, o milho assado, a paz que brota
E a geada fere o pasto a sangue-frio!

JÁ ANOITECEU

Já anoiteceu
E qualquer sentimento vai ficando diferente
Tento ser só teu,
Vou fugindo de mim mesmo e me encontro de repente

Já anoiteceu,
Outro corpo, outro copo em minha mão
Todo o mundo percebeu
Que a noite ameniza a solidão (e há solidão...)

Já anoiteceu, a luz negra disfarçando nosso sonho... nossa idade...
Tantos feito eu sempre atrás da mesma coisa pelas ruas da cidade
Já anoiteceu outro carro, outro cigarro - asfixia
O amor que se perdeu todos querem encontrar antes do dia!

Já anoiteceu a nossa história se repete (continua sem saída)
Olha só! Vê no que deu! E tanto que eu tentei evitar a despedida
Já anoiteceu carências & ausências - revelação
Todo o mundo percebeu que ninguém sabe ao certo sua intenção

Já anoiteceu e o meu amor está tão longe que talvez nem mais exista
O que aconteceu ? Onde está você ? (Me dê ao menos uma pista)
Já anoiteceu outra pose, outra dose - anestesia
A dor que se escondeu esperando pra voltar junto do dia!

PEDRAS

Uma pedra no caminho, uma pedra na mão
Uma pedra no rim, uma pedra no chão
Uma pedra no vizinho, uma pedra no irmão
Uma pedra no Pedro, uma pedra no João
Uma pedra diamante, uma pedra carvão
Uma pedra de granizo - uma perda no grão

Refrão
Se a solidão já medra tanta falta de prosa
Pro teu coração de pedra - uma pedra preciosa!

Uma pedra no estilingue, uma pedra no cão
Uma pedra no assunto, uma pedra em leilão
Uma pedra no sapato - escultura, expressão
Uma pedra de gelo - avalanche, vulcão
Uma pedra que rola (uma pedra canção)
A primeira pedra que alguém jogue então. . .

Refrão

Na testa de Golias (catapulta ao portão)
Pedrada todo dia - manifestação
Em tantos tabuleiros de xadrez ou gamão
Pedra sobre pedra, pedraria padrão
A primeira pedra que alguém jogue então...

Refrão

CONTIGO

Contigo
Eu brigo e nem ligo
Pois sempre sigo
Contigo
Eu faço o que digo
Faço um abrigo!

Contigo
Eu corto o umbigo
Corro perigo
Contigo
Acato o castigo
Andar só comigo!

Contigo
Sou novo e antigo
Embrião e jazigo
Contigo
O que faço não digo
(Só faço contigo!)

POR AQUI

Estrofe 1
Por aqui todos vão bem obrigado
Fazendo nada, fazendo o seu lado!
Por aqui todos não sabem quem são
Não fazem planos, nem fazem questão!

Por aqui andam
Sem pressa, na contramão e às avessas
Sedentos de sedução!
Por aqui pagam
Promessa, pecado, aposta, remessa
E juros de plantação!

Estrofe 1

Por aqui pedem
Passagem, esmola, voto, massagem
E eterna disposição!
Por aqui prezam
Imagem, pouca mudança e bobagem
Apadrinhado padrão!

Refrão
Por aqui! Por aqui! Por aqui!

Estrofe 1

Por aqui roubam
Os trilhos, a inocência dos filhos
E a cena do bom ladrão!
Por aqui quebram
O milho e mal encostam os cílios
Vem uma outra estação!

Por aqui todos vão bem ou brigados
Fazendo cera, fazendo alambrados!
Por aqui todos não sabem se vão
E em vão se ficam, nem fazem que estão!

Por aqui vivem
Num trauma, na Solidão e na Palma,
Da mão que nega o perdão!
Por aqui perdem
A calma, alguns trocados e a alma
No divã de um balcão...

Refrão

POEMARIA *

Maria virgem de todos - corre pelo tempo Maria fumaça
Marias em romaria (que nunca se vendem ou que dão de graça)
Maria de todo dia vazia paria uma outra Maria
Marias bem mais que mil tem no tom do Milton. . . Maria Maria!

Maria da Santa-madre
(Muito mais do santo padre)
Minha bela, minha flor
Maria sem amor!

Maria lavadeira - dos filhos, do tanque, da cozinha
Tão serena, tão sereia (o mar vinha ela ia, o mar ia ela vinha)
Maria vai com as outras - Maria morena, mulher e menina
Maria escandalosa (perdida). . . Maria gasolina
S
Maria que não me quis
Má, ria a infeliz
Minha bela, minha flor
Maria sem amor!


* Inspirada em poema homônimo de Pedro J. Bittencourt.

SÓ VOCÊ (UMA DESSAS CANÇÕES PRUM AMOR QUALQUER)

Só você fica bem melhor comigo
Faz tudo que eu mando duvidando do que eu digo
Só você leva tudo numa boa
Distância & paixão - um coração vivendo à toa

Não quero mais te ver sorrindo por aí
Mantendo a aparência (tão longe sem querer)
Não quero mais me ver chorando ao ouvir
Uma dessas canções prum amor qualquer

Só você faz de mim gato e sapato
Por você não fico rico (pago mico e pago o pato)
Só você, só você pra me entender
Pra viver minha loucura e sem censura me fazer

Não quero mais te ter chorando ao dormir
Perdendo a inocência (tão longe sem querer)
Não quero mais viver sorrindo pra mentir
Uma dessas canções prum amor qualquer

Em long-play, fita K7, AM, FM ou CD
MP3 ou DVD, em algum programa de TV
Não quero nem saber, já cansei de te esconder
Numa dessas canções prum amor qualquer...

PRA TE DAR

Mais do que tudo eu queria
Todas as forças da alquimia
Minhas noites, meus dias
Só pra te dar
Pra ti dar...

Mais do que tudo eu queria
Todos os doces sem calorias
Jóias, bijuterias
Só pra te dar
Pra ti dar...

Mais do que tudo eu queria
Todo o dinheiro da loteria
Sucesso, regalias
Só pra te dar
Pra ti dar...

Sempre contigo errando eu acerto
Perto de mim é o teu lugar
Sempre contigo encontro meu tudo
Tudo que tenho é tão pouco pra te dar

Mais do que tudo eu queria
Fantasia - orgia - alegria
Minha melhor cantoria
Só pra te dar
Pra ti dar...

Mais do que tudo eu queria
Amor eterno com garantia
A cura das minhas manias
Só pra te dar
Pra ti dar...