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REENCONTRO?

Desde que ela morreu o cotidiano ficou vazio
O melhor lugar para recordar tornou-se o balcão
E as lembranças que lhe assombravam num arrepio
Era um mal sem cura, um problema sem solução.

Desde que ela morreu nada mais abrandou o frio
Nem a superfície do Sol, nem a lava de um vulcão
Sobre o cobertor as lágrimas desenhavam um rio
Saudade gigante arrombado o apertado coração.

Sem ela tudo dava errado, a vida não era mole
Violão que arrebenta a corda, gaita que fura o fole
Um copo secando lentamente no balcão a esperar.

E um dia ela ressurgiu misteriosamente no bar
Sentou ao lado dele e anunciou a hora de voltar
E um corpo tombou sozinho após o último gole!

SINHÁ SANHA


Não! Não sei mais quais horas são propícias
Pra propor pecados em seus ouvidos
Perversões e assuntos proibidos
Galanteios tão cheios de malícia.

Sim! Sim há sanha em todos seus gemidos
Linda fêmea de inúmeras carícias
Que chega como tão boas notícias
Deixando outras belezas sem sentido.

Não! Não sei como entender tão rara miss
Nem como ocultar minha fragilidade
E sofro só, diante os que se entrelaçam...

Sim! Sim há sanha em seus flertes infantis
Flertes assim... de doce castidade...(?)...
-Sim, assanha-se pra todos que passam!!!


Escrito entre 1987 e 1988.

UXORICÍDIO


Foi tudo bem rápido, feito uma bala
Que atravessa o ar sem nada sentir ou ver
Eu parecia estar dentro de uma vala
Sem saída... Sem motivos para viver!

Você soltando sua energia rala
A toda hora, sem ter quando adormecer
No pátio, no sótão, na adega, na sala
Nem se importava com o que viesse acontecer!

Então eu fui sofrendo assim, pouco a pouco
E você ganhando mais e mais beleza
Entre amor e ódio, seu beijo era um soco...

Nos seus braços virei uma fácil presa
Você me deixava tão frágil... Tão louco...
Acho até que foi legítima defesa!

EU


I’m

And


Oh!
Tem

Hein?!

É
I’m
Nu


Sem
Tu!

DAS IGUAIS

Numa casa alugada alimentava-se a esperança
Em duas bocas com batom se beijando apaixonadas
Tão sinceras e felizes adotaram uma criança
Eram, enfim, uma família; ao preconceito condenadas.

Separadas por um vírus, só restou a aliança.
A ignorância dos parentes e as leis equivocadas
Deixaram muita tristeza e solidão por herança
E o Mal venceu o Bem neste “anti-conto de fadas”.

Pagaram o preço por acreditar demais na vida
Por acreditar em pessoas que desconhecem o amor
Sem a união e sem o filho até o Sol perdeu a cor

E foi assim que a sobrevivente suportou toda a dor
Relembrando diariamente esta história tão sofrida
Onde a paz durou pouco e eternizou-se a despedida.