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ILAÇÃO (Para a mulher amada)

Haverão de considerar meus versos anormais
Mas nunca na vida quis “pegar” a Juliana Paes!
Não, não sou gay! (nem tenho sonhos homossexuais)
Apenas nunca quis “agarrar” a Juliana Paes!
Pra que tanta beleza? Aquilo é perfeição demais!
(Capaz de estremecer arquibancadas e gerais)
Corpo escultural, boca sedutora, olhos fatais...
Generosas curvas de sensualidade voraz
Simbolizando em si todos os desejos carnais
Co’uma deusa dessas a gente nem sabe o que faz!
Imaginem passear com ela pelas capitais...
E ver uma multidão de homens correndo atrás?
Perseguindo a gente, feito um bando de canibais
Não! Não! Não! Não quero “pegar” a Juliana Paes!

Sim, quero ser feliz, porém não abro mão da paz
Por isso nunca quis transar com a Juliana Paes... (?)...
Claro que... adoraria tocá-la e... ouvir seus “ais”...
Mas vou dizer o que realmente me satisfaz:
Prefiro as baixinhas... gordinhas... Enfim, as normais!
Com estrias e celulite... Essas, simples mortais
Com carícias estratégicas e um beijo eficaz
Que talvez não tão belas, mas não menos sensuais
Que se encaixam na gente, feito um navio no cais
Povoam nossas vidas, entendem nossos sinais
Mulheres... Feito “aquela”, que não deixamos jamais
A atriz do nosso filme (estrela do nosso cartaz!)
Afinal, quando o amor vem, somos todos iguais
E a mulher amada é mais linda que a Juliana Paes!


Publicado no livro “Poemas Dedicados – Edição 2008” (CBJE, RJ).

DÉCIMAS DO SENTIMENTO-MOR


Só o amor oxigena a existência
Em seu múltiplo e intraduzível conceito
Seja lado a lado ou dolorida ausência
Seja declarado ou só dentro do peito
Seja presumível – mera coincidência
Seja infalível – revelando um defeito
Só o amor oxigena a existência
Sem que se perceba o quanto ele é perfeito
Cada homem compreenderá de repente
Que sem amor não há sonhos... Não há gente!

Só o amor pode curar todas as dores
Em sua fórmula una, derradeira
Seja um estrondo ou apenas rumores
Seja uma pétala ou a flor inteira
Seja invisível – aquarela sem cores
Seja indescritível – “sem eira nem beira”
Só o amor pode curar todas as dores
Sem que se perceba qual jeito e maneira
Cada homem compreenderá de relance
Que sem amor não há tempo... Não há chance!

Só o amor alimenta cada coração
Em seu único e eterno ensinamento
Seja fraternal ou simplesmente tesão
Seja para sempre ou só por um momento
Seja intocável – preso na palma da mão
Seja imbatível – dissipando-se ao vento
Só o amor alimenta cada coração
Sem que se perceba o valor do alimento
Cada homem compreenderá pela estrada
Que sem amor não há vida... Não há nada!


Publicado no livro “Os mais belos poemas de amor – 2008” (CBJE, RJ).

DÉCIMAS DE UM SERAFIM!

Não clamem por mim nos dias que o amor se vai
Nem esperem alívio no proibido
(Boca sem desejo, pele sem libido)
Sentimentos que castigam num entra-e-sai.
Não queiram milagres na minha presença
Nem tentem retornar ao tempo perdido
Olhares vazios, sonho adormecido
“Despaixão” revelando a dura sentença.
Não me peçam, pro “querer bem” um escudo
Anjos não são feito o amor, não podem tudo!

Não chamem de amor o que não é completo
Nem ouçam declaração no que é gemido
(Fogo na cama, pecado permitido)
Se for pleno, pode até não ser correto!
Não busquem primavera eterna no jardim
Nem temam o que um dia foi escondido
Corpo incendiando, língua dentro do ouvido
Tal calor também se abranda, encontra o fim.
Não me peçam corações tão satisfeitos
Anjos não são feito o amor, não são perfeitos!

Não esqueçam que o amor é só loucura
É trilhar o caminho já percorrido
Prazer com amor? É um tesouro escondido
Muitos se consomem, errando à procura.
E não há querer que sempre se renove
A voz do coração explica o que é o amor
Portanto, apenas amem (do jeito que for)
Deixem o amor livre... Tudo se resolve!
Façam sua parte, não esperem por mim
Não sou mais cupido, hoje sou Serafim!

Inverno de 2007.

DÉCIMAS EM VERSOS INVERSOS

Se o amor perde a hora e já tropeça em seus passos
Deve estar confortável, no calor de outros braços!
Se o amor traz agruras e constrói labirintos
Também traz um banquete pros corações famintos
Sentimento único, intrépido, imortal
Que surge quando a gente menos espera
Feito uma folha solta sob o temporal
Feito um vento brando sobre a primavera.
Se o amor envelhece e se perde no universo
Deve estar renascendo, pois tem sentido inverso!

Se o amor descaminha, maculado em traição
Deve vir renovado, pra merecer o perdão...
Se o amor abre as feridas e acumula dores
Também abre a consciência e refaz os valores
Sentimento ímpar, vivo, absoluto
Que surge assim mesmo... de dentro para fora
Feito a eternidade num só minuto
Feito o depois e o antes chegando agora.
Se o amor adoece em mil lágrimas, imerso
Deve voltar mais forte, em seu propósito inverso!

Se o amor não se aquieta e já recusa o aconchego
Deve andar muito confuso entre partida e apego
Se o amor faz besteiras e comete delitos
Também faz benevolências e estanca conflitos
Sentimento louco, mágico, perfeito
Que surge retratando o porquê da vida
Feito os calores e os odores do leito
Feito a vinda, o cotidiano e a despedida.
Se o amor une opostos e reúne dispersos
Deve existir para sempre em rimas e versos!

DÉCIMAS DO FIM DA ESPERA

Depois de tanto tempo, finalmente aconteceu
Aquele anseio secreto, aquela fome de amar
A energia que troca todas as paixões de lugar
Inunda o deserto, apaga o sol, catequiza o ateu
Depois de tanto tempo, agora é somente ela e eu
Dor insana é sobreviver à mercê das horas
Sob os duros golpes que o relógio dá na gente
Numa lentidão insensata que nos devora
Assim é com todos, ou ao menos com quem sente...
-Depois de tanto tempo, aconteceu finalmente!

Depois de tanto tempo, nosso momento chegou
Aquele desejo em flor, louca sede contida
A energia que move o amor pela vida
Sorriso por nada, brinde no bar, um grito de gol
Depois de tanto tempo esse prazer nos encontrou
Dor terrível é suportar o fardo da espera
Sob os violentos golpes do relógio lento
Chega o peso da idade, quando menos se espera
Assim é com todos, de nada adianta lamento
-Depois de tanto tempo, chegou nosso momento!

Depois de tanto tempo, enfim nos encontramos
Aquela ânsia carnal, aquela gana da tez
Corpo e alma, passado e presente, a hora e a vez
A energia que fecunda grãos, frutos e ramos
Depois de tanto tempo, agora juntos estamos!
Dor estúpida é estar contando cada segundo
Quando o relógio não anda, qual água no estopim
A espera é a maior angústia que há no mundo
Assim é com todos e com todos será assim
-Depois de tanto tempo nos encontramos enfim!