Mostrando postagens com marcador Poemas Variados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas Variados. Mostrar todas as postagens

SAMBA DA DESCOBERTA

Minha amiga adivinha só o que eu descobri
Vou te contar, presta bem atenção, ninguém pode ouvir
Ontem tive enxaqueca,

Quebrei os pratos e tomei calmante
Descobri que o meu grande amor tem uma amante!

Minha amiga eu já nem sei mais o que fazer
Todo mundo tá comentando, não dá pra esconder
Não tenho sangue de barata nem paciência de elefante
Não consigo aceitar... Meu grande amor tem uma amante!

Ele vai se arrepender, já não perde por esperar
Vou lhe dar minha raiva, com muita TPM, e contas pra pagar
Café frio, ceva quente, uma cama no sofá
E não chego perto dele até quando eu agüentar!

Minha amiga até já pensei em deixar passar
Pois quem ama precisa mesmo aprender a perdoar
Se ao menos eu não soubesse, mas agora eu sei
E o pior de tudo é que ele está de caso com um gay!

CALÇADAS & CALÇADOS

Os calçados pisam nas calçadas da cidade
As calçadas deixam nos calçados a umidade
As calçadas levam os calçados pra escola
Nas calçadas cheiram dos calçados toda a cola!

Os calçados tropeçam nas calçadas com defeito
As calçadas abrigam os “sem-calçado” em seu leito
Os calçados gastam nas calçadas sua sola
Nas calçadas pedem pros calçados a esmola!

As calçadas dão o caminho
Aos calçados que não andam sozinhos
Os calçados devagarinho
Nas calçadas vão fazendo seu ninho!

Calçadas no mormaço, calçadas sem esquina
Calçados sem cadarço - sandálias e botinas
Calçados e calçadas se tocam sempre a prazo

Calçadas e calçados percorrem todo atraso!

PELAS FECHADURAS

Tranquei esse amor, joguei a chave fora
Desvendando mistérios frente à solidão
A dor é maior pra quem não vai embora
E acorrenta o desejo aos pés da razão
Saudade que recai por força do querer
Encarcera sonhos dentro da memória
Quem sabe algum dia eu entenda porque
Tranquei esse amor e escrevi outra história

As fechaduras sempre escondem segredos
De romances alheios ( sinceros ou não )
Toda loucura vem na ponta dos dedos
Pra arrombar o cadeado do teu coração!


Tranquei esse amor, joguei a chave fora
Se quedou tanta ausência ( noite sem luar )
Tempo é prisão pra quem recorre as horas
E algemado ao destino vive a esperar
Ferro da paixão gradeando o adormecer
Lacrimeja orvalho - madrugada chora
Quem sabe algum dia eu já possa esquecer
Tranquei esse amor e joguei tudo fora

As fechaduras sempre escondem verdades
Sentimentos ocultos ( amor-traição )
Minhas palavras têm por necessidade
Arrombar o cadeado do teu coração!

PONTUAÇÃO





Dois pontos:
Ponto de partida
Não entrega os pontos
Ponto de ônibus
Bate o ponto
Pontual
Não dá ponto sem nó
Ponto de vista
Dormi no ponto
Ponto G
Ponto final.

INCIDENTE

Finalmente encontrei meu amor de repente
Com tanta gente, se mostrando diferente
Fumaça, aguardente. . . pouca luz no ambiente
O olhar indecente – a carne muito quente!

Finalmente ela se revelou uma serpente
O amor aparente é só mágoa plenamente
Não me acha atraente, talvez impotente
Quebrou minha lente (não tem Cristo que agüente!)

Mas francamente, não me diga que não mente
Obviamente eu não sou nenhum demente
Sou escorpião veemente (nem sei o ascendente)
Meu coração doente vive só no continente!

Finalmente ela se revelou descontente
Muito carente, incoerente e inocente
Frustração tão somente. . . infeliz no batente
O olhar comovente – a história deprimente!

Finalmente perdi meu amor (que acidente)
Acho que fui muito ausente e pouco inteligente
Cotidiano inconsciente – paixão negligente
Mas, vendo o sol poente. . . Todo fim é evidente!


Escrito no verão de 2004.

ESSA ESTRADA

Dentro de mim tem uma estrada
Sem partida e sem chegada
Tantas pedras, tantas curvas e buracos no caminho
Tantos medos, tantas dores, tantas flores e espinhos...

Dentro de mim tem uma estrada
Com manhãs e madrugadas
Tantos mapas, tantas rotas e obstáculos que eu fiz
Tantas lágrimas e sonhos e a intenção de ser feliz...

Essa estrada é uma ferida
Que não vai cicatrizar
Pra encontrar uma saída
É preciso acreditar...

Essa estrada é um deserto
Não tem sinalização
Pra encontrar o rumo certo
Basta ouvir o coração...

Dentro de mim é só uma estrada
Mais parece uma emboscada
Tantas metas, tantas retas e nenhuma direção
Tantas lutas, tantas buscas e amores pelo chão
...

LÁPIDES


Vim trazer uma flor, vim matar a saudade
Já não é novidade que não sei te esquecer
Pois somente o amor vive a eternidade
Revelando a verdade e a razão pra viver!

Vim lembrar como foi, como é de costume
Inda tem teu perfume por toda a varanda
Teu sorriso ficou, teu olhar de ciúme
O passado nos une, o relógio não anda!

Vim contar como vou, sobre a dor que me invade
Já não há mais vontade de seguir por aí
Vim trazer uma flor, vim matar a saudade
Hoje sou só metade, logo hei de partir!

Só vejo teu nome, tua fotografia
Numa pedra tão fria... Num tempo deserto!
Sou só mais um homem, uma vida vazia
Relembrando a alegria de tê-la por perto!

CHEGADA

Sei que o amor quando chega é assim
É meio Pierrô, Colombina e Arlequim
O amor é assim
Um conto de fada, uma estrada sem fim...
Não tem previsão
Isolda e Tristão, Dalila e Sansão, dói coração...
O amor é pra nós... a voz que navega no mar da canção!

Sei que o amor quando chega é tão bom
É meio bolero, Evita e Perón
O amor é tão bom
Uma serenata, o silêncio e o som
Olhares num bar
É sorte ou azar, o sol e o luar, faz suspirar...
O amor é uma luz que conduz um navio à deriva no mar!

Sei que o amor chega assim de repente
É meio mistério, sempre igual, diferente
O amor é semente
Brotando com calma, na alma da gente
Alheio à razão
Eva e Adão, Maria e João, dói coração...
O amor é o que é... a maré entre as pedras à flor da solidão!

Deixe o amor como ele é
Todo imperfeito, do jeito que vier
Colando pedaços, unidos fatias
Dormindo num abraço à espera do dia...

Deixe o amor surgir no horizonte
Seja pra sempre, somente uma noite
O amor é uma vida, um lar, um lugar

E somente ele sabe quando deve chegar...

CARTAS


Vêm de longe, com recados importantes
De intenções, de alforria ou apenas de amor
Atravessam o país a todo instante
Sustentando a vida de algum escrevedor

Vêm de longe, a viajar de mão em mão
Sonhos rudes de qualquer jovem poeta
No perfume das palavras - declaração
Sentimentos tortos sobre linhas retas

Tantas cartas sem resposta no final
Meus garranchos de paixão a se apagar
Então eu vou selar meu coração postal
E remeter de vez a quem interessar...

Vêm de longe, são mentiras e saudades
Sob a porta prosa e verso pelo chão
Boas novas, más notícias - novidades
Mais antiga forma de comunicação...

Vêm de longe, são mensagens a galope
Se aprochegam quando menos se esperar
Sabe deus o que contém o envelope
Confissões que só o papel sabe contar!

DE FATO


Esse olhar não tem jeito
É de fato, não é de direito
Esse estranho contato
Não tem jeito, não tá no contrato.

Esse olhar que atordoa
É de fato, não é da pessoa
Esse sonho insensato
Tão à toa, recusa o recato.

Atropelo no ato
Nos lençóis do barraco
Um perfume barato
A pele – o pêlo – o tato...

O novelo e o gato
Desse amor quero um naco
O momento exato
Pra ser feliz de fato!

PELAS FRESTAS


Não tem represa que segure o ponteiro
Nessa vida a metade é o inteiro
Não tem barragem que segure a solidão
Nessa estrada de grinalda e de grilhão.

Nessa espera, tanta paz - cumplicidade
Não tem mordaça pra calar a nossa idade
Nessa história que extravasa pelas frestas
Não tem tristeza pra franzir a nossa testa.

O vento frio acordando a campana
Pelas frestas surge o tempo necessário
Velhas fugas,
Novas rugas, fina flor do calendário.

A luz da rua invadindo a veneziana
Pelas frestas toda a dor do povoado
Dois lugares,
Dois olhares se apagando, lado a lado.

DENTRO


Dentro da casa um quarto escuro,
Dentro do quarto a solidão
Dentro do peito um coração
Dentro da rede (a multidão...)
Dentro do copo medo e gelo,
Dentro do gelo, água pura
Dentro da arte a criação
(O criador e a criatura).

Dentro do crânio mil idéias,
Dentro do gênio a loucura
Dentro da voz a intenção,
Dentro de todos uma procura
Dentro do bolso o ganha-pão,
Dentro do pão, água e farinha
Dentro do livro um sonhador,
Dentro da fábula fada madrinha.

Quando saio, quando entro. . .
Tem você por dentro
Vou do bairro até o centro,
Com você por dentro
Do bê-a-bá ao testamento tem você por dentro
Nosso amor é “outros quinhentos”! (com você por dentro!)

Dentro do bosque a extinção, dentro do tempo conhecimento
Dentro do cofre algum segredo, dentro dos olhos sentimento
Dentro do fato a circunstância, dentro das nuvens água e vapor
Dentro da causa a conseqüência, dentro da pele o fogo em flor.

Dentro do prato o sofrimento, dentro das leis selvageria
Dentro do pranto o crescimento, dentro das dores o dia-a-dia
Dentro da perda o vazio, dentro do aquário água e prisão
Dentro da casa um quarto escuro, dentro do quarto procriação.